Sobre: "When did Posters Become Such WallFlowers?" por Alice Twemlow"In the remote hunting town of Chaumont, in the Northeast of France" deu-se a catástrofe. O artigo "When Did Posters Become Such Wallflowers?" faz uma crítica ao grande problema do Design, a capacidade de vender um produto. Alice Twemlow acusa o exercício de Design de ter vindo a evoluir de uma ferramenta de comunicação e organização de informação para qualquer coisa como uma masturbação visual ("João, pião, balão, pão!ão!ão"), onde pouco ou nenhum conteúdo existe em detrimento de uma solução final visualmente agradável.
De um sem número de posters e um cem número de obras de arte em formato "70x100", resta a ideia de que os Designers que participaram no concurso de Chaumont, do qual Alice foi júri, entenderam como conteúdo a própria participação na competição anual de Posters Europeus. Num concurso em que existem regras claras, onde todos os ttrabalhos têm que promover algo e ter sido publicados, é óbvio que é preciso haver uma distinção imediata entre o produto de um designer e o produto de um artista.
O que é certo é que, enquanto aspirantes a designers, temos vindo a sentir a avaliação feita por Alice, pois, tal como para o actor o palco é o espaço onde ele se mede perante uma plateia, o cartaz é a régua do Design. Somos constantemente invadidos e muitas vezes atacados com a informação que nos rodeia. Tanto é que se criou mesmo o pensamento de que vivemos numa autêntica roda viva, que não pára de girar e que a cada volta que dá nos espeta com mais mil produtos, ideias e exposições em cima (e obras de arte). Sentimo-nos contaminados e efusivamente "batidos" pelos posters e anúncios que nos chegam. Pomos a questão que sentimos ser de Alice também. Será que de uma perspectiva mais utópica seria melhor descartar toda a informação gráfica a favor da mensagem crua e despida de elementos ruidosos e altamente contagiantes?
Rapidamente nos deparamos com outro problema. Já todos os cartazes que vimos até este preciso momento em que lemos estas ásperas e rugosas palavras, estão fora de prazo. A mensagem está limitada a um espaço e a um tempo que lhe não é mutável nem impreciso. Vivemos de facto dentro desta roda viva que sobrevive da invenção e da re-invenção de produtos e concepção de novas ideias que nos definem enquanto sociedade. E por isso a mensagem é tão efémera e tão inútil entre tantas outras mensagens. Assim faz sentido complementar esta mensagem com elementos gráficos, de modo a criar impacto e destacar melhor a própria mensagem, sendo que os elementos gráficos ajudam a organizar e a hierarquizar o seu conteúdo.
Concluímos desde já que um cartaz muito bem conseguido, pode a partir do momento em que a mensagem morre, dissolvê-la no seu próprio aspecto gráfico e desta forma quebrar a barreira espácio-temporal imposta pela sua validade, perdurando, assim, na mente daquele que o absorve enquanto alarve social e humano que é. Uma coisa é um cartaz, que pode ser uma obra de arte. Outra coisa é uma obra de arte, que não pode ser um cartaz. Isto é, achamos que um póster, quando muito bem feito, pode vir a ser uma obra de arte depois de ter passado pela experiência de se validar enquanto mensageiro de um produto; mas quando este se destina a ser, prima facie, uma obra de arte ao invés da utilidade primeira de comunicar, não se molda a qualidade altruísta de um cartaz, pois não passa de um embelezamento rural e urbano — expressão de matéria individual.
Ainda hoje estudamos e tomamos como exemplo cartazes cuja mensagem expirou, como os bons exemplos do Dadaísmo, Bauhaus e Estilo Internacional. Modelos de cartazes que cumpriram o seu objectivo e que hoje sobrevivem pela sua pertinência e qualidade gráfica.
Entendemos a frustração de Alice e do júri do concurso de Chaumont. Muitos cartazes são óptimos a nível gráfico, mas se não transmite nenhuma ideia e se deles não esprememos o bom sumo de laranja, re- intitulamos o concurso para "Ilustrações Ultra Bem Feitas De Alto Teor Técnico E Gráfico Europeu De Chaumont". E fechou o tasco.
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